O grande show de pentecostes

03/11/2019
Passage: Atos 2
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Texto do Boletim:

Eu confesso: não gosto de ir a shows! A ideia de uma multidão me apertando para assistir uma banda, por melhor que seja, não me atrai nenhum pouco. Por outro lado, é bem verdade que eu já estive em bons shows e que fiquei maravilhado com a banda e toda produção ali feita. Talvez você nunca tenha se maravilhado em show, mas tenha se arrepiado com o grito de gol da torcida do seu time em um estádio, ou talvez você já tenha provado uma comida em que cada sabor que saboreou em seu paladar fez você ficar admirado e assombrado. Na verdade, nós fomos feitos para nos maravilhar! Nós nos maravilhamos com a obra da criação de Deus e sua maravilhosa obra de redenção e isso nos leva a adoração. Aí está o elemento fundamental do maravilhar-se: adoração. Nosso assombro deve nos levar a glorificar a Deus! E não é a toa que Deus, na história, produziu grandes momentos de assombro. Um destes momentos mais emblemáticos, sem dúvida, foi a descida do Espírito Santo no Dia de Pentecostes relatado em Atos 2. Hoje, ao lermos e meditarmos neste texto, também somos chamados a nos maravilhar com a grande obra de Deus.
O segundo capítulo de Atos introduz três das mais importantes chaves de todo o livro: o enchimento do Espírito (vv. 1–13), o ministério evangelístico da igreja (vv. 14–41) e a vida comunitária dos crentes (vv. 42–47). Neste momento, vamos nos deter no estudo dessa primeira parte, que trata do enchimento e capacitação pelo Espírito Santo de Deus.

O grande show de Pentecostes (1-4)
A festa de Pentecostes sempre ocorria no primeiro dia da semana e era assim chamada por ser 50 dias depois do primeiro molho da colheita de cevada ser colhido, bem como, 50 dias depois do primeiro domingo depois da Páscoa. Também era chamada de festa das semanas ou festa das primícias por estar vinculada a primeira colheita do trigo. Posteriormente associada com o dia da entrega da Lei no Sinai, essa festa reunia muitos judeus que estavam longe de Jerusalém e que visitavam a cidade para adoração. Nesse domingo, portanto, Cristo resolveu enviar de modo assombroso o seu Santo Espírito.

Os discípulos estavam reunidos na parte superior da casa de alguém, mas não estavam necessariamente em um culto. Ainda que esse fosse o dia em que a igreja passou a adorar a Jesus Cristo, o dia de sua ressureição, nada no texto nos faz crer que estivessem em culto ou mesmo em oração pedindo pela capacitação prometida por Jesus. No entanto, as circunstâncias especiais dessa história nos fazem crer que o Espírito Santo soberanamente e de forma repentina apareceu aos discípulos.
O grande show do Espírito Santo atingiu os sentidos dos discípulos. Primeiro, eles ouviram um vento, depois viram línguas de fogo e, então, falaram em línguas estrangeiras. Esses três sinais maravilhosos demonstram o poder do Espírito de Deus, mas também mostram algumas de suas características. O vento é inesperado e vai para onde quer (Jo 3.8) e ele também traz vida (Gn 2.7; Ez 37.9). O fogo aponta para o pacto da graça (Gn 15.17), para a independência de Deus (Êx 3.2) e a santidade de Deus, pois só Moisés poderia falar-lhe no Sinai (Êx 19.18). Por fim, as línguas estrangeiras cumprem o que foi prometido em Lucas 3.16 e Atos 1.8. Cristo estava batizando e capacitando o seu povo para testemunhar sua Palavra em todos os cantos do mundo. O batismo com Espírito Santo operado por Jesus Cristo é um dom do Espírito (At 2.38), onde o crente torna-se habitado pela terceira pessoa da trindade (At 2.4) e recebe poder para testemunhar (At 1.8). Esse poder é a capacitação dada por Deus a todos os crentes ao regenerá-los, habilitando-os a purificação e pregação.
O texto nos diz que pessoas de várias regiões ouviram em suas próprias línguas as grandezas de Deus. Portanto, o dom de línguas aqui mencionado é habilidade sobrenatural de falar uma língua jamais aprendida de forma ordinária para apresentar a Palavra de Deus. É um dom que cumpre sua finalidade em “redimir Babel”, pois os crentes estão sendo reunidos de todas as línguas, povos e raças, mas também cumpre o juízo à Israel falado pelo profeta Isaías e o apóstolo Paulo (1Co 14.22; Cf. Is 28.11-12).

A grande plateia de Pentecostes (5-11)
Havia judeus piedosos de todas as nações para adorar a Deus na festa de Pentecostes. Lucas deseja relacionar o caráter universal do evento de pentecostes com a presença de pessoas de diversas regiões. Ele está claramente fazendo referência ao chamado de Jesus para fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.19). Devemos observar também a admiração que todo esse evento causou nos que ali estavam. Ao saberem que se tratava de homens simples, sem grande contato acadêmico, ficaram assombrados em como poderiam falar em tantas línguas e, podemos especular, tão bem. Deus estava maravilhando pessoas de vários povos para nos mostrar que esse é o chamado missionário. “Missões existem porque há pessoas que ainda não adoram a Deus” (John Piper). Por isso, os discípulos estavam sendo chamados para levar esse deslumbramento a todas as nações, pois importa que Deus ajunte seu povo, composto de todos seus eleitos, de todas as tribos, povos e raças.

A grande diferença de reações (12-13)
O texto termina nos falando sobre duas reações bem distintas a respeito do evento. Um grupo assombrado faz a pergunta mais importante de todas: “que quer isto dizer?”. O que nos mostra que os sinais por si mesmos não podem salvar. Somente a pregação da Palavra de Deus, junto ao Espírito Santo, transforma pecadores em santos do Senhor. Daí a necessidade da explicação que o apóstolo Pedro dará nos versículos 14 a 41. Porém, outra reação foi narrada. Outro grupo passou a zombar e afirmar que os discípulos não passavam de bêbados em plena manhã. Essas duas reações ainda se repetem na proclamação do Evangelho. Pois, enquanto para uns é vida, para outros é fogo que separa e que evidencia a incredulidade.
O grande show de Pentecostes foi um evento único dentro da história da redenção. Ele não precisa ser repetido, mas os seus efeitos permanecem até hoje. Deus continua a converter e batizar homens de todas as tribos, povos e raças. Ele continua a demonstrar sua glória pelo poder da pregação e causar deslumbramento aos que o amam. Assim, a igreja continua a ser uma igreja empoderada e carismática. Empoderada pelo poder de Deus na pregação e carismática pelos dons dados por Cristo para capacitar a igreja a anunciar o seu Reino.

Rev. Ronaldo Barboza de Vasconcelos

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