O poder da igreja está na proclamação do evangelho

12/01/2020
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Passage: Atos 2:14-41
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O PODER DA IGREJA ESTÁ NA PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO

At 2.14-41

Os 15 livros mais vendidos em 2019 de uma forma ou de outra estão relacionados a autoajuda e coach. Essa tendência nos levanta, pelo menos, duas questões: 1. O que o mundo está buscando? 2. O que a igreja pode oferecer? Claro, muitas outras perguntas poderiam ser feitas, mas me parece que estas duas estão no centro de uma tensão que perpassa qualquer um de nós. Certamente é nosso desejo alcançar o maior número de pessoas e ver a igreja crescendo. Todos nós queremos conversões em massa e pessoas rendendo-se a Cristo. Porém, será que esse desejo pode levar a igreja a perder de vista o seu poder real e buscar em metodologias humanas, para não dizer diabólicas, a fim de alcançar pessoas?

Quando nos deparamos com esta narrativa de Atos devemos estar atentos ao que Pedro, autor do discurso, e Lucas, autor do livro, desejam nos mostrar. O Espírito Santo acabara de se mostrar com um grande show pirotécnico de deixar qualquer produção hollywoodiana no chinelo. Mas ao que parece, sinais não são suficientes para conversão. As pessoas estavam confusas. Alguns chegaram a sugerir que os apóstolos estavam embriagados, enquanto outras se perguntavam o que estava acontecendo. Por isso, Deus nos mostra neste texto a necessidade da pregação e que é exatamente na proclamação do Evangelho de Jesus Cristo que está o verdadeiro poder da igreja, através da qual Deus transforma pecadores e faz crescer a igreja dEle.

Assim, podemos aprender o conteúdo e a natureza da pregação verdadeira que a igreja de Cristo deve proclamar.

Pregação é a exposição da vida e obra de Cristo (14-36) - Uma das coisas que mais perdida entre muitos

pregadores é o verdadeiro conteúdo da pregação. Infelizmente muitos pregadores, rendidos ao desejo apóstata do coração humano, trocaram o conteúdo do Evangelho por frases de efeito psicologizadas de autoajuda. Encontraram nessa forma um jeito de entreter pessoas, mas infelizmente são incapazes de transformá-las na raiz do coração. Por outro lado, temos a pregação de Pedro, cheio do Espírito Santo, que confronta o pecador e descortina seu coração.

Pedro, aquele que outrora era um covarde que negou Jesus 3 vezes antes de sua crucificação, agora com intrepidez do Espírito Santo, levanta-se para explicar o que estava acontecendo. Ao citar o profeta Joel,
ele encaixa a descida do Espírito Santo no cumprimento da história da redenção e aponta para os  omentos finais da história. Os últimos dias iniciaram-se com a encarnação do Verbo e chegaram ao seu clímax com a morte e ressureição de Jesus Cristo. Mas agora, estes últimos dias apontavam para o derramamento do Espírito em todos os crentes e a capacitação de proclamação profética. Por isso, ao falarem em vários idiomas as grandezas de Deus, os discípulos estavam profetizando segundo a profecia de Joel 2. 28-32. Estes últimosdias terminarão na segunda vinda de Cristo, onde teremos o grande último dia, mas até lá a igreja estariasendo capacitada por Cristo, através do Espírito Santo para proclamar.
Assim, é fundamental reconhecermos o conteúdo dessa proclamação profética. E esse conteúdo não
é outro senão Cristo, sua pessoa e obra. Assim, do versículo 22 ao 36 Pedro apresenta quem é Jesus Cristo e sua obra inigualável. Ele deixa claro que apesar dos judeus terem crucificado e matado a Jesus, foi o desígnio de Deus que tudo conduziu para sua santa vontade. Assim, após demonstrar que a morte e ressureição de Cristo fora prevista e cumprida, Pedro deixa claro que Jesus é o próprio Kyrios (Senhor). Kyrios é um termo importante nos tempos do império Romano porque era um dos pronomes de tratamento para o imperador. Mas Pedro esclarece que o verdadeiro Senhor é Jesus, que foi morto e ressuscitou, e esse é exatamente o conteúdo essencial da pregação. Portanto, não há pregação genuína sem a apresentação do Cristo crucificado.

Pregação é a chamada ao arrependimento mediante Cristo (37-41)

Uma vez que vimos o conteúdo da pregação é fundamental que observemos a natureza da pregação. Essa proclamação profética que é o poder da igreja não é meramente um conteúdo programático de um curso. A questão central não é acadêmica ou simplesmente intelectual, mas envolve uma mudança radical mediante a chamada ao arrependimento. Os ouvintes da pregação de Pedro ficam desnorteados com tudo o que ouvem e o texto nos informa que o coração deles foi compungido. Literalmente o texto grego diz que o coração deles foi perfurado! Essa imagem é perfeita, porque descreve exatamente o que palavra pregada faz com o coração daqueles que o Espírito Santo age. Uma vez que seus corações são feridos eles passam a amar e crer o Senhor, levando-os ao arrependimento. Por isso, ao ser perguntado o que fazer, Pedro responde com o chamado ao arrependimento e a fé no Senhor Jesus Cristo externado pelo batismo. A pregação genuína deve levar ao arrependimento e a fé em Jesus. Arrependimento das obras más de pecado, portanto tem de haver confrontação, e fé em Jesus Cristo, a única solução para o coração ferido pela Palavra. Nenhuma outra solução pode ser dada e qualquer outra coisa que seja dita será uma distorção e perversão do Evangelho. A promessa de salvação cumprida naquele instante não fica reservada aquele momento, mas se estende aos séculos vindouros dos últimos dias. Essa promessa alcança os filhos e para todos os que são chamados por Deus. Aí está a verdadeira esperança que o mundo precisa, mas que não está buscando. Estão cegos e precisam ser curados da cegueira para poder enxergar a verdade. Jesus é a única verdade e a única solução das nossas aflições mais profundas e difíceis. Qualquer tentativa de experimentar palavras de efeito e autoajuda somente postergarão o problema, como um doente em cuidados paliativos, mas sem a esperança da cura. O Evangelho não trata sintomas simplesmente, mas atua direto na raiz do nosso maior inimigo, nosso amor idolátrico por nós mesmos. A proclamação do Evangelho é um chamado a encontrar em Cristo nossa suficiência, reconhecendo nossa total dependência dele e de sua palavra, exaltando sua glória e majestade até os confins da terra. Esse é o poder da igreja de Cristo.

Em Cristo,
Rev. Ronaldo Vasconcelos